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Aprendendocom as flores
Marlem Oraide Cardoso
Numa manhã ensolarada, ao abrir a janela de meu quarto, descortinei diante de mim, um quadro de impar beleza. A grama ainda não fora podada e, então, as florzinhas do campo estavam ali, embaladas pela brisa, acolhendo-me com um “oi”.
Respondi-lhes com um sorriso.
Imediatamente elas começaram a me segredar:
- Estamos muito felizes!
Parece que lendo meus pensamentos, continuaram:
- Às vezes não somos percebidas. Outras vezes, a nossa presença até incomoda, irrita. Por sermos pequenas, somos pisoteadas. Por sermos humildes, somos desrespeitadas. Por não sermos iguais à grande maioria, somos até decepadas.
- E vocês dizem que estão felizes!?
- Sim..., pois no silêncio da noite, aprendemos transformar lágrimas em seiva e, assim, nos revigoramos, nos fortalecemos, e então, no dia a dia, vamos andando, no andar, resignificamos o viver, resignificando o viver, reconstruímos a felicidade.
Em silêncio, diante da complexidade deste mistério percorri meu dia a dia, resignifiquei meu viver e busquei alternativas de reconstrução da minha felicidade.