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Arquivo de: Março 2007

05.03.07

Mudança de atitude

                                        (Primeira parte)

Marlem Oraide Cardoso 05de março de 2007

Reporto-me a uma experiência que vivenciei, em uma aula de química, nos idos tempos em que cursei o Ensino Médio, então, Curso Normal. Quando estudávamos a composição da água explicitei, para a professora que eu acreditava que água era muito mais do que aquelas porções de dois átomos de hidrogênio e um de o oxigênio (H2 O).

Meu posicionamento foi considerado ousadia, para não dizer, desacato às autoridades científicas, uma vez que o conhecimento, repassado pela professora a nós, alunos, caracterizava-se como sendo científico e, portanto, inquestionável.  

O paradigma científico vigente, era caracterizado pelo racionalismo e pela objetividade. Levava à supremacia as ciências, ditas exatas, sobre as ditas humanas, o pensamento racional sobre o pensamento hipotético e intuitivo, bem como, as evidências racionais, os conceitos lógicos matemáticos sobre as sensações, as percepções, as intuições, os afetos e as emoções. O critério de verdade que ainda perdura até hoje, era o cientificamente provado, o experimentado, o visível, o sensível. Conhecer, nesse sentido, significava dividir, quantificar, classificar, para depois determinar.

Ao silenciar, quando a professora disse-me enfaticamente: Se duvidas, podes ir a um laboratório para fazer a análise, retomei o perfil de boa aluna, proposto na época: obediente, dócil e educada. O dogmatismo e o autoritarismo, no exemplo, personificados pela professora, não foram capazes de inibir minha inquietação em relação à causalidade linear, ao pensamento dualista, às certezas absolutas, alicerçadas na razão.                                (continua)

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  • Postado em 11:12:37

Mudança de atitude

                                                                             Marlem Oraide Cardoso

(Continuação) 

Aquele meu questionamento e tantos outros que se sucederam, não eram simplesmente quantitativos. Diziam respeito a um nível de compreensão muito mais complexo do que a simples enumeração dos elementos que compõem um todo ou da proporção desses elementos uns em relação aos outros.

Hoje, vibro ao perceber, que outros, mais ousados do que eu, diante da  fragilidade dos pilares em que se fundava o conhecimento, puseram em questão o paradigma positivista, romperam com o cientificismo cartesiano, produziram, não só processos criativos de abordagem, como novos conhecimentos, novas linguagens e sobretudo, novos sentidos.

Graças a uma pluralidade de condições sociais e teóricas, hoje é possível que o professor esteja pronto a, até mesmo, estimular o aluno para que questione o que está sendo trabalhado e, juntar-se a ele naquilo que está experimentando ajudando a compreender os significados do entendimento tácito de cada um deles.

 

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  • Postado em 11:06:50