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(continuação)
Envolvia-me de tal jeito que nem me dava conta que, muitas vezes, tal qual a espiga de milho, a proposta constituía-se num artifício arquitetado com objetivos nem tão plausíveis e que o objeto de desejo estava diante de mim inatingível, intocável.
Esperanças malogradas, sonhos desfeitos, prazeres frustrados, marcos de uma caminhada de amadurecimento, de fortalecimento, de revitalização.
Gradativamente fui processando aprendizagens significativas e, então, fui percebendo que o que me mobilizava não eram os objetos que me eram apresentados, mas, sim a grande força energética, revitalizante que me gesta e é por mim gestada: o desejo. Ele, o desejo, eclode dentro de mim, como força mobilizadora da transformação e da construção de uma nova subjetividade.
Hoje, dou-me o direito de, tanto quanto possível, imaginar, criar, ou eleger os projetos com os quais vou me envolver. Seleciono, nem sempre os mais ousados, mas sim os que me parecem serem mais éticos e, ao fazê-lo, percebo-me distanciando-me, cada vez mais, do Tordilho.
criado por marlem.oraide
23:11:12