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Marlem Oraide Cardoso
Desde criança Seu Chico percorria, dia a dia, as ruelas do vilarejo que o vira nascer. A cadência desacelerada de seu cantarolar, nos últimos tempos, vinha denunciando que alguma coisa o afligia. Seu inseparável companheiro de jornada estava mostrando sinais de cansaço. Para que agilizasse o passo, o amo, embora penalizado, batia-lhe no lombo. No entanto, inconformado com o que vinha fazendo, buscava uma alternativa para livrar o cavalo Tordilho das chicotadas. Depois de muito pensar, encontrou uma saída que, na sua ingenuidade, pareceu-lhe brilhante. Prendeu uma espiga de milho numa vara e amarrou-a no varão da carroça de maneira que a espiga ficasse sempre à frente do animal. Desejando saborear o alimento, Tordilho passou a andar mais depressa e sem parar.
Enquanto reescrevia esta fábula descortinaram-se diante de mim diferentes cenários, onde eu, individualmente ou na coletividade, fui protagonista de muitos andares em busca de objetos de desejo. Sempre me senti atraída a participar de ações em proveito da construção de uma sociedade mais humana, mais feliz. Toda vez que me acenavam para esta possibilidade, sem pestanejar, punha-me a andar, andar, andar... (continua)
criado por marlem.oraide
23:15:02