24.09.06
Setembro, flores e neve (continuação)
Desde então, indagações mil se imbricaram num processo complexo de transformação interior. Cada reflexão desencadeada indicava a ponta de um fio que se emaranhava com outros tantos numa grande trama. Andando por caminhos que se entrelaçam, aos poucos vou percebendo que a lógica do dever vai dando lugar a do direito, o perfeccionismo à espontaneidade, a criticidade à criatividade, a rigidez à flexibilidade, a passividade ao dinamismo, as certezas às probabilidades, o medo de desapontar ao desejo de satisfazer-me.
Aos poucos fui reconstruindo, de maneira existencial, com ajuda de profissionais competentes, o conceito de liberdade. Fui me dando conta que a vida não é regida por um determinismo mecanicista. Sempre tive a meu alcance uma variedade de possibilidades de escolha e, a partir delas, vou delineando a existência e definindo onde concentrar minhas energias, claro que sempre delimitada por questões circunstanciais que dizem respeito ao tempo e ao espaço do qual sou parte.
A complexidade inerente aos processos de transformação do ser humano tornou-se evidente a cada instante e de maneira mais contundente em momentos existências mais significativos.
Hoje, entre a lembrança do pessegueiro em flor e da neve em flocos, vislumbro a aposentadoria e acolho-a com serenidade, pois não lancei sobre ela a responsabilidade de viver prazerosamente.

-
criado por marlem.oraide
20:25:00